Segunda-feira, 6 de setembro de 2010
"Lampião, o Sertão e Sua Gente", de José Vieira Camelo Filho, o Prof. Zuza
Lançamento dia 28 de agosto de 2008
O lançamento acontece no dia 28 de agosto, num espaço de cultura popular: o Arte Lua Nova & Bar. Nesta edição, ampliada e atualizada, o autor apresenta todo um contexto social para o surgimento do cangaço e seu principal representante: Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. No livro o Prof. Zuza, geógrafo, cientista social e pesquisador participante (de campo), traça um paralelo sobre como a questão social e a disputa por um espaço de chão influenciaram no surgimento das revoltas populares, de grupos e líderes que buscaram maneiras de estabelecer um poder paralelo, em contraponto ao governo constituído, que não cumpria seu papel de manter a estabilidade e, principalmente, a justiça social.


Na noite do lançamento contaremos com a participação do Cantador de Alto Belo Téo Azevedo e do artista do graffiti e muralista Eduardo Kobra, além de apresentação musical com Cicero de Crato e os músicos da casa liderados pelo Ernesto Doset.
 
Sobre o Livro
Este livro procura contribuir com o debate a respeito da História dos conflitos sociais ocorridos nos sertões do Nordeste, tendo o cangaço como objeto de análise. Trata-se de um movimento constituído de várias nuances no tempo e no espaço. Suas primeiras manifestações ocorreram na década de 1830, com grupos espontâneos que agiam no meio rural, instrumentalizados para resolver disputas políticas entre os potentados locais ou pela propriedade da terra. O cangaço sempre foi caronista dos momentos de crises políticas e sociais ocorridas em várias etapas da História do Brasil. O auge das suas ações e da organização cangaceirista se deu nas três primeiras décadas do século XX, sobretudo com o surgimento de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, a partir de 1918. O leitor vai ter a oportunidade de compreender parte da história da gente sertaneja e o seu modo pacato de vida em meio a um furacão de agitações e de conflitos com suas crendices e imaginários; nos quais se inclui os cangaceiros, as volantes e os próprios coronéis fundiaristas. Apesar de focar as questões relacionadas ao cangaço, o livro também faz alguns fleches a respeito de outros movimentos sociais que ocorreram em várias localidades do território brasileiro, tais como Canudos e a Revolução Federalista, que eclodiram na última década do século XIX; Contestado e a Sedição do Juazeiro, na segunda década do século XX; Caldeirão e Pau-de-Colher, na terceira década. Todos esses movimentos tinham em comum a luta pelo acesso e posse da terra, exceto a Revolução Federalista e a Sedição do Juazeiro que apresentavam um cunho mais político. O cangaço chegou ao fim em 1940, com a morte de Corisco e a prisão de Dadá, mas as questões da grilagem, do acesso e posse da terra não foram resolvidas, da mesma forma que a vingança como forma de fazer justiça ainda persiste. Nos últimos anos, padres e freiras vêm sendo assassinados, o que não ocorria no tempo de Lampião. Portanto, a situação piorou porque naquela época apenas os trabalhadores sem terra e os índios eram vitimados. Apagaram Lampião, mas os problemas da terra continuam acesos, acrescidos da degradação ambiental, incluindo a devastação da floresta Amazônica, haja vista o que ocorre no Pará e na Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Essa reserva é propriedade do Estado brasileiro e moradia de cinco grupos indígenas entre eles os Macuxi e Igarikó, onde os grileiros e os pistoleiros com os seus clavinotes andam soltos e a justiça aprisionada e submissa; não é a Zona da Mata, mas sempre terá um cabra marcado para morrer. As questões urbanas, de forma sucinta, também estão contempladas no final deste trabalho. Na verdade, parcela significativa dos problemas urbanos tem relação direta com a falta de solução das questões sociais, geradas pela estrutura fundiária no meio rural do país ao longo da história, que expulsou enorme contingente de pessoas para as cidades. Capítulos do livro: I. O espaço geográfico do cangaço / II. A gênese de Lampião e do cangaço / III. Lampião como líder carismático / IV. Tradição oral e o imaginário popular no cangaço / V. Punição, força e o abuso de poder nos sertões do Brasil. Apresenta as considerações finais do autor, Genealogia de “maus” feitores e uma rica bibliografia.

“Lampião, o Sertão e sua Gente”, 184 páginas, R$ 30,00

Edição do Autor em co-edição com o Selo O Autor na Praça
 
Sobre o Autor
José Vieira Camelo Filho, que assina Zuza Vieira Camelo, nasceu em 14 de junho de 1952, no Ingongo, Fazenda Gameleira, Distrito do Espírito Santo, município de São João do Piauí-PI. É pesquisador do Rio São Francisco, professor da E. E. Prof. Emygdio de Barros, Pós-Doutor em Políticas Públicas, Doutor em Economia, Especialização em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Unicamp. Mestre em História, Bacharel em Ciências Sociais, Geografia e Licenciatura em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC/SP. No Pós-Doutorado, elaborou uma pesquisa a respeito do Rio São Francisco e do seu Vale. No Doutorado teve como objeto de estudo as estradas de ferro do Nordeste e para realização do Mestrado desenvolveu uma pesquisou acerca do cangaço. É autor do livro Espírito Santo: um pontinho do Brasil que não pode ser apagado, Edições Pulsar, 2001.
 
Serviço:
Lançamento do livro Lampião, o Sertão e sua Gente
Dia 28 de agosto, quinta-feira, a partir das 19h30
Arte Lua Nova & Bar – Tel. 3284 3350 / 3253 1609 / www.barluanova.com.br
Rua Cons. Carrão, 451 - Bixiga (Esquina com a Rua 13 de Maio)
Informações:
Edson Lima – Tel. 3746 6938 / 9586 5577 - edsonlima@oautornapraca.com.br

Apoio:
Jornal da Praça, Max Design, Pablo Web Design, Cantinho Português, Autores & Leitores
 

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